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História

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Origens

Perante o elevado valor do património natural da região do Nordeste de Portugal e a actual problemática de conservação, em 2000 foi criada a Associação Transumância e Natureza (ATN), uma entidade sem fins lucrativos, formada por um pequeno grupo de ambientalistas portugueses, com a participação importante de cidadãos de nacionalidade suíça, holandesa e espanhola, envolvidos em programas internacionais de conservação da natureza.

O primeiro projecto

Os primeiros 3 anos da vida da ATN (2000-2003) foram integralmente dedicados a um projecto de salvaguarda do Britango e da Águia de Bonelli, contando com o apoio técnico e financiamento da Fundação MAVA.
A estratégia desenvolvida pela ATN no Nordeste de Portugal começou por 3 conjuntos de acções:
I - Aquisição de terrenos importantes para aves (destinados a garantir autonomia nas acções no terreno, reduzindo perturbação de actividades humanas, abrindo oportunidades de gerar recursos para sustentar acções de conservação),
II - Melhoramento de recursos tróficos (repovoamento de pombais e alimentadores de abutres);
III - Sensibilização da população local (reduzir conflitos entre população humana e espécies protegidas).
Nesse período adquiriram-se as primeiras propriedades, em 4 locais importantes para as 2 espécies de aves de rapina (Algodres/vale do Côa e Almofala, Escalhão e Poiares/vales do Águeda e Douro), uma área total de cerca de 67 hectares. A maioria desses terrenos localizam-se nas margens do Rio Côa (ZPE do vale do Côa) e esta área passou a constituir o sítio prioritário de actuação da ATN.

2003 – o ponto de viragem da ATN

Na manhã de 1 de Agosto de 2003 ocorreu um incêndio a cerca de 3 Km a sul da Faia Brava. Dadas as condições extremas de secura, temperatura e vento, este fogo alastrou rapidamente, afectando cerca de 2700 hectares, 1500 dos quais na ZPE do vale do Côa. Tratou-se de um fogo de grande severidade, que levou a uma profunda degradação na vegetação arbórea, nomeadamente reduzindo o número de sobreiros com mais de 50 anos em cerca de 30%.

Após a execução de um projeto de Recuperação de Sobreirais de Algodres e Vale de Afonsinho, com apoio financeiro do Fundo de Solidariedade da União Europeia, a ATN desenvolveu uma forte vertente de gestão florestal. Assim, a partir de 2004, a ATN assumiu o compromisso de executar um programa anual de silvicultura preventiva, uma campanha de vigilância contra fogos e uma campanha de reflorestação na Faia Brava. Em 2005, foram também introduzidos os primeiros cavalos garranos para gestão da vegetação em regeneração natural.
Em 2009, e de forma a envolver outros proprietários florestais desta área de sobreiral, a ATN desenvolveu o projeto que levou, em 2009, à criação da Zona de Intervenção Florestal Algodres/Vale de Afonsinho.

Crescer

Entre 2003 e 2008, com o apoio de ONGs holandesas, de mecenato nacional e estrangeiro e de receitas de venda de azeite biológico produzido na Faia Brava, foram adquiridos mais 380 hectares, na margem direita (Algodres) e esquerda (Cidadelhe) do Côa, a que se juntam cerca de 100 hectares arrendados.
Assim nasceu a Reserva da Faia Brava, na ZPE do vale do Côa, o núcleo no qual a ATN tem investido a maior parte dos seus recursos, de modo a criar um modelo de gestão local e sustentável de recursos naturais. As acções desenvolvidas têm-se centrado no restauro ecológico, através da valorização dos habitats e do aumento da disponibilidade alimentar das espécies mais ameaçadas. Para além destes aspectos, a Faia Brava funciona, cada vez mais, como polo de demonstração nas áreas da agricultura sustentável, protecção florestal, silvo-pastorícia, educação ambiental e ecoturismo, envolvendo a comunidade local.
Já em 2012, foram adquiridos mais 200 hectares na freguesia de Vale de Afonsinho, com o apoio das fundações MAVA, STN e Rewilding Europe.
A ATN gere neste momento 800 hectares quase contínuos no vale do Côa.

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A primeira área protegida privada do país

Com base na convicção profunda de que a sociedade civil deve ter um papel activo na salvaguarda do património ecológico e de que o projecto Reserva da Faia Brava, ou seja a preservação de um espaço onde a natureza é o valor mais importante, é um factor de dinamização socioeconómica e cultural na região, a ATN apresentou candidatura para a classificação da Faia Brava como a primeira área protegida privada do país.
A ATN preparou o Plano de Gestão da Faia Brava, que define estratégias de gestão para o futuro desenvolvimento deste espaço natural entre 2009 e 2019, tendo como objectivo principal a conservação da biodiversidade da ZPE do Vale do Côa.

Em Dezembro de 2010 a Reserva Faia Brava foi finalmente classificada pelo Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade como área protegida privada, a primeira do país.
Abandono agrícola ou renaturalização – Rewilding Europe
Em 2011, a ATN integra a iniciativa Rewilding Europe, cuja ambição é fazer de Europa um lugar mais selvagem, com mais espaço para a vida silvestre e para os processos naturais. O seu principal objectivo é o de renaturalizar um milhão de hectares até 2020. A iniciativa concentra-se sobretudo na gestão de áreas da Europa com uma elevada taxa de abandono de terras e na criação de uma economia de turismo de natureza. Esta é uma parceria entre a WWF Holanda, a Fundação ARK, a Wild Wonders of Europe e a Conservation Capital.

Rede de reservas naturais do Nordeste


Os resultados obtidos na Faia Brava e a participação activa na iniciativa Rewilding Europe estão a encorajar a ATN a especializar-se na gestão de áreas naturais a nível regional, através do aumento da área gerida no vale do Côa para 2500 hectares e através do desenvolvimento de uma rede de reservas naturais privadas no Nordeste de Portugal. O objectivo principal deste projecto é o estabelecimento e gestão de um conjunto de espaços naturais a nível regional, onde se possa desenvolver um esforço autónomo e sustentável para a conservação da biodiversidade única da bacia hidrográfica do Douro.